sábado, 12 de março de 2011

Terapêutica do Perdão

"ENTRE OS VÁRIOS ASPECTOS DO PERDÃO, UMA CARACTERÍSTICA QUE O ESPIRITISMO ABORDA É O PERDÃO TOTAL NA PRESENTE EXISTÊNCIA, POIS OS ESPÍRITOS VINGATIVOS PERSEGUEM, ALÉM DA SEPULTURA, AQUELES QUE AINDA SÃO OBJETOS DO SEU RANCOR"

FRANCISCO CAJAZEIRAS: "ESTAMOS EM PROCESSO DE APRENDIZADO DO AMOR"

Francisco Cajazeiras proferiu palestra na manhã do dia 11 de julho, no Auditório Bezerra de Menezes e autografou seus livros. Natural de Fortaleza-CE, onde reside Francisco de Assis Carvalho Cajazeiras - seu nome completo - é fundador do Instituto de Cultura Espírita do Ceará e já foi vice-presidente da Federação Espírita do Ceará. É médico clínico e cirurgião geral, professor da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e da Faculdade Integrada do Ceará (FIC). Tem várias obras publicadas pela Editora Eme, sobre mediunidade, eutanásia, casamento, bioética e saúde espiritual.

"Encontramo-nos num mundo de doentes. A causa disso é a imperfeição do espírito. A ciência prescreve hoje o que as religiões falam há milênios", explicou. Enfatizando que estamos em processo de aprendizado do amor, Cajazeiras falou sobre o amor ao inimigo em palestra no último 11 de julho na FEESP. Referiu-se à pergunta de Chico Xavier a Emmanuel: "Emmanuel, temos mesmo que perdoar 490 vezes cada ofensa?. "Quando Jesus disse que devemos perdoar setenta vezes sete, ele quiz dizer: perdoar indefinidamente", concluiu.

PERDOAR - disse o orador - é um ato inteligente, não é afirmar simplesmente: "eu perdôo", se o coração não perdoou. Não devemos confundir o pedido de Jesus, de que se alguém nos bater numa face devemos oferecer a outra, como um sadismo. "Esquecer as ofensas é tirar da mente o pensamento obsessivo. Perdoar é uma atitude, uma decisão", completou. Outro aspecto analisado (as religiões que acreditam neste detalhe) foi o do perdão do inimigo, enquanto se está a caminho com ele, nesta encarnação. Como explica o ítem 6 do capítulo X de O Evangelho Segundo o Espiritismo - "Bem aventurados os misericordiosos"; "A morte, como se sabe, não nos livra dos nossos inimigos.

Os Espíritos vingativos perseguem sempre com o seu ódio, além da sepultura, aqueles que ainda são objetos do seu rancor. Daí ser falso, quando aplicado ao homem, o provérbio: "morto o cão, acaba a raiva". O Evangelho explica que esta é a causa da maioria dos casos de obsessão, sendo quase sempre, o obsedado, vítima de uma vingança anterior, a que provavelmente deu motivo por sua conduta. "Deus permite a situação atual, para puní-los do mal que fizeram, ou, se não o fizeram, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, deixando de perdoar".

O capítulo do Evangelho em referência é claro: "Quando Jesus recomenda que nos reconciliemos o mais cedo possível com o nosso adversário, não quer apenas evitar as discórdias na vida presente, mas também evitar que elas se perpetuem nas existências futuras. Não sairás de lá, disse Ele, enquanto não pagares o último cetil, ou seja, até que a justiça divina não esteja complementamente satisfeita".

Cajazeiras deixou bem claro que embora os que se consideram nossos inimigos não nos deixem em posição tão confortável quanto os que são nossos amigos, devemos amá-los da mesma forma, reconhecendo neles alguém que precisa de nossas preces e nossas vibrações. Conforme Emmanuel, "o conselho de Jesus, no que se refere à oração pelos nossos perseguidores não se baseia tão somente na lei universal da bondade para com os semelhantes".

PERDÃO, REMÉDIO PARA A ALMA.

EM PRIMEIRO LUGAR, PRECISAMOS APRENDER A NOS PERDOAR. Quando nos dirigimos a Deus pedindo perdão pelos nossos erros, estamos realmente arrependidos? E quando dizemos a alguém que perdoamos a ofensa sofrida, esquecemos realmente o ato danoso? Na busca dessas respostas, pensemos sobre isso procurando perceber, em nossos corações e em nossas mentes, como essas atitudes se refletem dentro de nós. E para iniciar essa caminhada é importante lembrar que todos nós cometemos equívocos e que, por essa razão, estamos sujeitos a críticas.

O problema é que na maioria das vezes somos bastante tolerantes com nossos enganos, enquanto nos tornarmos juízes severos dos enganos alheios. Por quais razões essa atitude se manifesta em nós? Porque imaginamos - o egoísmo está no centro desse nosso comportamento - que temos motivos que justificam as nossas grosserias, as nossas injustiças, os nossos desmandos. Os outros não os têm para assim agirem, sobretudo se nós formos os alvos desse comportamento desequilibrado. O capítulo X do O Evangelho Segundo o Espiritismo nos propõe duas questões que poderiam nortear nossa conduta diante dessa situação:

1 - Como julgar os atos de criaturas que vivem experiências tão diferentes das nossas?
2 - Como poderemos saber o que se passa no coração daquele que nos ofende ou nos agride?
Certamente não podemos, pois quando agimos assim também os outros ignoram o que acontece conosco naquele momento. Para essa mudança, para essa nova forma de ver o outro, Emmanuel nos faz um convite: "Renova o teu modo de sentir, pelos padrões do Evangelho, e enxergarás o Propósito Divino da Vida, atuando em todos os lugares, com justiça e misericórdia, sabedoria e entendimento".

Mas, por onde começar a corrigir? Como fazer? Deparamos aí com um grande problema íntimo: sabemos o que corrigir, mas não conhecemos o caminho para essa mudança. Jesus é o modelo a ser procurado, a resposta certa à nossa indagação. O Mestre referiu-se, inúmeras vezes, ao perdão como um instrumento valioso e indispensável à nossa evolução. O "perdoai para sermos perdoados", que nos deixou em seus ensinamentos, significa perdoar indefinidamente tantas vezes quantas forem necessárias. Gostaríamos, evidentemente, de ser perdoados todas as vezes que nos desviamos da trilha, mas como esperar o perdão que pedimos a Deus se ainda não somos capazes de perdoar o próximo?

Parece-nos que, em primeiro lugar, precisamos aprender a NOS PERDOAR, pois se fizermos ou se ainda fazemos algo errado é porque não sabíamos, como ainda não sabemos, como fazer o certo; e em segundo lugar, buscar a resposta em Jesus porque, mais do que falar sobre o perdão, Ele o exemplificou em Sua caminhada de luz, exercitando a bondade, a mansuetude, de modo integral, completo, sem distinção a quem quer que fosse. E a prova disso está no pedido que fez ao Pai para que perdoasse aqueles que O crucificavam.

Médico de almas, o Cristo propôs o perdão como remédio para todos os nossos males. E é interessante notar a preocupação da Medicina moderna em tentar compreender porque essa atitude, praticada por muitos doentes do corpo, ajuda a curar ou a minimizar as dores. Os médicos, hoje, querem descobrir como e porquê isso acontece. Jesus já sabia e veio nos ensinar. Só nos resta, portanto, aprender! Vamos, então, juntos com Jesus, usar a bondade para com todos.

Aprendamos a perdoar conforme Ele nos ensinou: sem rancor, sem ressentimento, sem estabelecer condições, ajudando inclusive o ofensor, nem que seja com nossas preces, mesmo que ele não saiba... busquemos algum bem nessas criaturas, como nós gostaríamos que o encontrassem em nós, apesar do momento de desequilíbrio em que estejamos envolvidos..

Quantas vezes notamos plantas aparentemente secas que voltam a ficar verdes com o milagre do Sol e da chuva! Já imaginaram o que aconteceria a um coração sedento de compreensão e amor? Já temos o MODELO (JESUS), os instrumentos e o caminho para realizar a transformação em nós. Estamos aguardando o quê?